quarta-feira, 30 de novembro de 2011

CARTA PASTORAL DO ADVENTO 2011

Queridos irmãos e irmãs, nós bispos e pastores da Igreja, queremos trazer à Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, uma mensagem de esperança neste novo tempo que se avizinha no Calendário Cristão. O Advento tem um caráter preparatório, apontando e nos preparando para celebrar o mistério da encarnação, em Cristo Jesus. Os eventos resgatados neste período nos falam de um Deus que acompanha bem de perto a jornada da humanidade, “Deus conosco” (Mateus 1:23).

Apresentando essa mesma perspectiva, uma narrativa do Êxodo nos conta que Deus disse: “Eu tenho visto como o meu povo está sendo maltratado no Egito; tenho ouvido o seu pedido de socorro por causa de seu feitores. Sei que estão sofrendo. Por isso desci para libertá-los do poder dos egípcios e para levá-los do Egito para uma terra grande e boa” (Êxodo 3:7-8). Esse trecho das Escrituras nos mostra um Deus sensível, comovido com o sofrimento humano, que está disposto a descer das alturas das montanhas para cuidar da sua criação.

Essa imagem deveria guiar sempre a atuação daqueles e daquelas que se dedicam ao pastoreio do povo de Deus. Olhos atentos ao contexto no qual estamos inseridos, ouvidos sensíveis para escuta do clamor das pessoas que sofrem, dispostas a experimentar o desafio da alteridade, se colocando no lugar do outro, movidas pela compaixão, reviradas nas entranhas. Nesse diálogo com o outro a pastoral vai adquirindo sentido.
Apesar dos limites humanos, como bispos da Igreja temos procurado refletir essa prática em nossas vidas, por isso tantas vezes temos nos lançado na defesa de grupos e pessoas injustiçadas e marginalizadas pela sociedade, os “pequeninos” mencionados por Jesus de Nazaré (Mateus 10:42; 25:40; Lucas 10:21). Por causa dos desafios assumidos, acolhendo demandas que nenhuma outra ousou encampar, por causa da mudança de alguns paradigmas éticos, sabemos que a nossa Igreja tem pago um alto preço.

Na condição de pastores precisamos estar atentos ao consenso de fé dos fiéis, sensus fidelium, pois a Igreja não é apenas uma instituição social, mas uma comunhão de discípulos e discípulas de Jesus Cristo. Dentro dessa comunhão existe uma pluralidade de opiniões, valores, comportamentos, que precisam ser considerados e respeitados com o propósito de “que todos sejam um” (João 17:21). Temos consciência de que existe uma série de assuntos em debate na comunhão anglicana que precisam ser considerados com muita seriedade, todavia precisamos evitar o voluntarismo dos vanguardismos e procurar caminhar juntos, a narrativa dos discípulos na estrada de Emaús é a certeza do Cristo que “segue ao lado” (Lucas 24:13-31). Precisamos seguir em frente na nossa jornada com paciência e suportando-nos uns ao outros em amor, como ensina o apóstolo Paulo (Efésios 4:2).
Quando discípulos de João Batista procuraram Jesus para saber se ele era realmente o Messias, o prometido de Deus, não teve como resposta outra coisa senão os elementos reveladores da vida: “Ide, e contai a João o que tendes visto e ouvido: os cegos veem, os coxos andam, os leprosos são purificados, e os surdos ouvem; os mortos são ressuscitados, e aos pobres é anunciado o evangelho” (Lucas 7:22). Da mesma forma, ficamos felizes ao constatar que muitas das nossas comunidades enfrentam sem alarde a prática de acolhimento das diferenças, transformando-se assim em novos espaços de relações onde se realizam as propostas do reino de Deus.

Que o Espírito Santo continue a produzir no nosso meio “o amor, a alegria, a paz, a paciência, a delicadeza, a bondade, a fidelidade” (Gálatas 5:22-23), nos conduzindo a toda verdade, nos levando a práticas concretas que manifestem o reino divino e nos preparando adequadamente para receber em nossos corações o menino Deus que não se prendeu a sua divindade, mas esvaziou a si mesmo, assumindo a condição humana (Filipenses 2:7).

São Paulo, 24 de novembro de 2011
Dia Nacional de Ação de Graças

Dom Mauricio Andrade, Primaz, Brasília

Dom Orlando Santos de Oliveira, Porto Alegre
Dom Naudal Alves Gomes, Curitiba
Dom Sebastião Armando, Recife
Dom Filadelfo Oliveira, Rio de Janeiro
Dom Saulo de Barros, Belém
Dom Renato Raatz, Pelotas
Dom Roger Bird, São Paulo
Dom Francisco de Assis da Silva, Santa Maria
Dom Clóvis Erly Rodrigues, Emérito
Dom Glauco Soares de Lima, Emérito
Dom Celso Franco, Emérito
Dom Almir dos Santos, Emérito
Dom Jubal Pereira Neves, Emérito