quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Dia da Reforma


Juliano Bernardino de Godoy
Estudante Anglicano de História e Filosofia
juliano.godoy@ig.com.br
"Sola Scriptura, Sola Christus, Sola Gratia, Sola Fide, Soli Deo Glória." Martinho Lutero A Idade Média foi um período onde a Igreja Católica Romana interferia diretamente nas decisões políticas e religiosas, controlando reis, nobres e principalmente todo povo que ocupava a última camada da sociedade estamentária feudal. O Povo sofria muito vivia em uma angústia constante e mudanças repentinas pelas guerras, pestes, feudalismo e curialismo. A Igreja era a maior proprietária de terras e de propriedades da época, contradizendo os princípios que eram pregados contra a nobreza, como acúmulo, empréstimos e usura. Todavia o que mais causava revolta, não era apenas isto e sim a vida escandalosa de grande parcela do alto-clero que praticava métodos nada cristãos em suas nomeações, aplicando a venda de cargos religiosos conhecida como simonia, concubinato e festas regadas a bebida com orgias dentro de ambientes religiosos. Era muito comum, um filho de um nobre ser nomeado cardeal sem o mesmo ter feito os estudos fundamentais de Teologia e vida Cristã. Era o modo de ganhar títulos e participar da política dentro da Cúria Romana visando seus interesses particulares, tudo nas costas da igreja. Mas o pior ainda estava por vir. O comércio dentro da Igreja chegou a tal ponto, que começou a famosa venda de indulgências, "perdão e salvação das almas do purgatório através de uma alta contribuição financeira." João Teztel, um clérigo romano, cantava em alto e bom som esta frase nas exortações que fazia ao povo humilde e desprovido de conhecimento: “A cada moeda que no cofre cai, uma alma do purgatório sai!” Toda esta renda foi arrecadada para a construção da atual Basílica de São Pedro no Vaticano. Martinho Lutero, um monge piedoso e dedicado ao estudo das Sagradas Escrituras, já vinha demonstrando um repúdio a estas atitudes e, cansado de tanta hipocrisia, demonstrou publicamente seu descontentamento afixando na porta da Catedral de Wittenberg, na Alemanha, um documento com 95 afirmações para promover mudanças internas na igreja, no dia 31 de outubro de 1517. Ele recebeu o apoio popular e de grande parte da nobreza, cansados dos abusos autoritários do poder papista em todo o reinado. Lutero foi perseguido e excomungando pela Igreja Romana, mas com vários companheiros conseguiu reformar e nacionalizar a igreja alemã, onde anos mais tarde Calvino, Henrique VIII e outros reformadores também entraram neste debate e promoveram a reforma religiosa na Europa, mostrando que a religião cristã não é um monopólio de um grupo pois "Cristo veio para judeus e gentios,escravos e livres" e nunca criou uma igreja institucionalizada. Os reformadores: ansiavam pela Graça, busca da verdadeira Igreja, menos religiosidade cerimonialista e mais vivência evangélica (como se vê nas comunidades do novo testamento). O maior trunfo da Reforma Protestante foi a alfabetização e o letramento dos seus fiéis, pois foram criadas escolas nas próprias paróquias reformadas para que a leitura da Bíblia e os sacramentos fossem a espiritualidade dos fieis. Todavia atualmente, tanto a Igreja Católica quanto as Igreja da Reforma tentaram dar respostas as questões principais de fé e de vida em comunidade, cada uma pelo seu modo de enxergar o cristianismo. Acreditamos porém que há muito que fazer ainda, para buscarmos uma coerência entre vida cristã e prática da fé perante o mundo, que clama por respostas urgentes para os problemas sociais e éticos.